Imunidade e o Exercício Físico: Turbine sua imunidade!

Imunidade e o Exercício Físico: Turbine sua imunidade!

Já pensou em como a imunidade está envolvida com os exercícios?
Já aconteceu de você trocar o seu treino para uma carga maior ou começar a treinar sério para alguma corrida e, ao invés de sentir-se mais disposto, acabou ficando doente?
Ou já ouviu falar que o exercício físico é um importante aliado na prevenção de infartos e doenças cardiovasculares?
E que praticar atividade física melhora a imunidade?

Esse texto faz parte da série CIÊNCIA DO BEM-ESTAR, nosso primeiro texto foi sobre a Atividade Física e o Câncer.

Hoje você vai entender como a imunidade se relaciona com o exercício físico.

 

            Mas primeiro, precisamos aprender um pouco sobre o sistema imune.

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O sistema imunológico (imunidade) é formado por moléculas, células e órgãos que atuam na defesa contra o ataque de microrganismos. Isso porque sua principal característica é a capacidade de reconhecer o que é próprio e normal do nosso corpo e o que é estranho e, portanto, que precisa ser combatido. Por ter essa capacidade de diferenciar e reconhecer o que é estranho, a principal função do sistema imune é proteger o nosso corpo e impedir o surgimento de doenças.

Quando o sistema imune reconhece um agente estranho, as células de defesa são mobilizadas para gerar uma resposta para neutralizar a possível ameaça. É como se uma guerra começasse a ser travada dentro do nosso corpo! Uma parte importante do nosso sistema de defesa é o processo inflamatório. A inflamação é uma resposta fisiológica que busca eliminar a causa inicial da lesão e reparar os tecidos lesados. É muito fácil identificar quando uma parte do nosso corpo está inflamada: a região fica quente, vermelha, inchada e dolorida. Para entender o processo inflamatório, vamos imaginar que, durante uma corrida descalço na praia, você pisou em uma concha e furou o seu pé. Quando o tecido da sua pele é rompido, ele libera sinais químicos que alertam a nossa imunidade sobre a exposição do corpo a possíveis microrganismos. Como consequência, os vasos sanguíneos da região são dilatados para que possam transportar um maior número de células para o local da lesão, por isso a região costuma ficar inchada, vermelha e dolorida. As células de defesa, então, destroem os microrganismos invasores que entraram no seu pé e reparam o tecido lesado. Em alguns casos, a inflamação pode resultar em febre. Por mais desconfortável que seja, o aumento moderado da temperatura corporal é extremamente importante para a nossa proteção, pois aumenta a atividade das células de defesa e ainda reduz a atividade dos microrganismos que crescem melhor em temperaturas mais baixas. Assim, a inflamação, embora pareça algo ruim, é uma estratégia inteligente do nosso corpo para nos defender de agentes invasores.

 

Fig. 1 – Sintomas da inflamação

 

            Você já imaginou como seria se o nosso corpo não tivesse imunidade?

Um simples machucado no pé ou um resfriado poderiam nos levar a morte. Felizmente, nós ainda podemos fazer uso de estratégias que capacitam ao máximo esses soldados protetores. A eficiência do sistema imune pode variar de acordo com a nossa genética, mas também de acordo com o nosso estilo de vida, incluindo a dieta e a prática regular de atividades físicas.

           

            Mas você sabe qual a relação do exercício físico com a imunidade?

As respostas promovidas pelo exercício, tanto agudas quanto crônicas, afetam diversos componentes da nossa imunidade. Isso acontece porque quando praticamos uma atividade física, ela induz um dano muscular e todo dano ou lesão, como vimos, resulta em um processo inflamatório. Esse processo inflamatório pode ativar o sistema imune ou inibi-lo, de acordo com a intensidade do exercício físico.

            Estudos científicos demonstram que exercícios de intensidade moderada diminuem os riscos de infecções.

A melhora ocorre porque o exercício moderado praticado de forma regular promove o aumento do número de células de defesa que destroem agentes invasores. Em outras palavras, o exercício aumenta o nosso exercito de células de defesa e deixa a imunidade ainda mais forte, com isso ficamos mais aptos para nos protegermos de doenças.

Além disso, durante o exercício físico, o músculo libera substâncias conhecidas como miocinas que são substâncias anti-inflamatórias. Apesar de a inflamação ser um processo fisiológico e benéfico para a defesa do nosso organismo, em alguns casos ela pode ser prejudicial, como, por exemplo, na formação de placas de gordura nas artérias, que são a principal causa de infartos e doenças cardiovasculares. Esse fenômeno é chamado de aterosclerose. A gordura atrai células de defesa e gera um processo inflamatório que pode resultar na obstrução do fluxo sanguíneo ou no desprendimento da placa de ateroma e em trombose. A liberação de miocina durante o exercício pode auxiliar a diminuição da inflamação nas artérias e, consequentemente, diminuir o risco de infarto e aterosclerose.

 

Fig.2: Exemplo da formação de placa de gordura nas artérias

(aterosclerose) e diminuição do fluxo sanguíneo.

 

No entanto, os mesmos estudos científicos mostram que exercícios de alta intensidade podem promover uma diminuição da proteção contra infecções, pois diminuem a capacidade do sistema imune de nos defender contra microrganismos invasores. Isso ocorre porque após exercícios muito intensos, como, por exemplo, uma maratona, nosso corpo passa por um período chamado “janela aberta”, no qual nossas defesas estão diminuídas e estamos mais suscetíveis a gripes e outras doenças. Por isso descansar é tão importante! Quando não respeitamos o período de descanso adequado e logo iniciamos outra atividade física, nosso corpo pode não se recuperar totalmente da “janela aberta” e “emendar” esses períodos de defesas baixas, nos deixando constantemente desprotegidos contra agentes invasores. Dentre os motivos que explicam como o exercício intenso diminui as nossas defesas, está o efeito dos hormônios do estresse liberados durante o exercício, como, por exemplo, o cortisol. Estudos demonstram que altos níveis de cortisol podem inibir sinalizadores químicos que funcionam como alerta contra infecções e também o número e a função de células de defesa.

Isso não significa que você não deve aumentar a intensidade do seu treino! Mas é importante você entender os efeitos disso no seu corpo e aprender como se preparar da melhor forma possível para manter uma vida saudável. E como a saúde, além de atividades físicas, depende de uma dieta equilibrada, da diminuição do estresse mental e até de boas noites de sono, é importante fazer uso de todas esses aliados para turbinar o seu exército de defesas e manter-se protegido das doenças.

Fique atento, pois na segunda parte desse artigo iremos falar sobre o papel do exercício em situações em que o sistema imune está alterado, como por exemplo, em doenças autoimunes.

NÃO PERCA!

 

Naiandra Dittrich Dra. Educação Física CREF: 016427-G/SC

 

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