De onde vem nosso constante desejo de emagrecer

De onde vem nosso constante desejo de emagrecer

Somos seres ditados pela influência. Do berço ao último suspiro, somos afetados pelo que vemos e ouvimos. Portanto, não é de se estranhar os fenômenos sociais que acontecem hoje em dia. Se por um lado temos a obesidade, influenciada pelas propagandas, marcas e por todo conglomerado de fast-foods (que vai além das praças de alimentação e já chega nas prateleiras dos mercados), por outro, também temos o desejo de sempre emagrecer.

Esta última, curiosamente, também ditada por propagandas e marcas.

De tanto sofrermos essas imposições subjetivas, nos sentimos alvo da própria ideia de beleza que marcas, propagandas e por vezes produtos culturais, definem: corpo sarado, cabelo bonito, unhas bem feitas e etc.

Com a autoestima abalada, procuramos por resultados e, geralmente, o que conseguimos são as consequências.

A busca para emagrecer, ou “Eu, meu pior rival

Com esses dois extremos tão próximos um do outro, a obesidade influenciada aqui, o emagrecimento empurrado lá, acabamos adotando nós mesmos como rivais. Com mente e corpo dessincronizados, agimos por impulso. Experimentamos dietas mirabolantes ou nos submetemos a uma rotina de exercícios que nunca antes experimentamos.

O resultado? Geralmente falha.

E descontamos isso onde? Isso mesmo, na comida. Dessa forma, entramos em uma espécie de ciclo vicioso que parte da frustração e termina na frustração em dobro.

Isso vale especialmente para os jovens.

As meninas adolescentes, atoladas por imagens surreais de corpos perfeitos, se submetem às demandas de uma rotina nada saudável. Ou, às vezes, até a medidas drásticas, como cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos.

Os garotos adolescentes, vítimas de quase o mesmo efeito que as moças, sentem-se necessidade de fazer parte do culto ao corpo, de terem aquela experiência. Por isso, apelam logo cedo para jornadas em academias, transformando seu corpo de uma forma nada recomendável para suas idades.

Os efeitos disso no corpo, saúde e mente são devastadores. A dismorfia corporal (nome do efeito que acontece em pessoas que não se veem de forma realista ao encararem o espelho), por vezes tratada como frescura, é muito mais que parece, mas sim um sintoma de depressão severa.

Então, o que começou como certa admiração pela modelo tal, cantor ou atriz, torna-se objetivo de vida. Errado? Claro que não. É totalmente normal ter uma referência, especialmente quando se fala em saúde. O problema são os métodos adotados e suas consequências.

A psicanalista Joana Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças de Beleza da PUC-RS, em reportagem para a Revista Donna, afirma algo alarmante, mas real:

“Na contemporaneidade, o corpo é um capital. Ou seja, algo que eu posso trabalhar para obter e devo exibir para demonstrar ‘riqueza’[…] Em uma cultura de ‘no pain, no gain’ (sem dor, sem resultado), é difícil para qualquer pessoa entender que alguém, mesmo se esforçando, pode não ter essa recompensa”

Então, como emagrecer do jeito certo?

Primeiro de tudo, para emagrecer corretamente, procure o auxílio de um profissional. Ele avaliará sua saúde, preferências e gostos e contribuirá para que esse processo ocorra da melhor forma para o tipo de pessoa que você é.

Segundo, como dissemos, emagrecer é uma questão de sintonia. De clareza. De objetivos (realistas, lembre-se) bem definidos. De prioridades e de saber gostar de si mesmo.

Porque, muito além da perda do peso, emagrecer de forma saudável é a chave para desencadear várias reações positivas em seu corpo, coisas que transcendem a questão de estética.

Aliar uma alimentação balanceada com a prática de exercícios correta aumenta sua energia e autoestima. Dessa forma, combate-se o estresse e o risco de doenças é minimizado. No fim das contas, o corpo que você quer vem sem que você se destrua por ele, mas contribua.

Pode mesmo parecer clichê, mas cada um é bonito a sua maneira. Nessa equação, emagrecer é mais que uma saída, mas um acréscimo na vida. Uma chance de melhorar outros aspectos além do que consideramos como beleza.

Portanto, tenha em mente que os resultados vem se você persegui-los com calma, com prudência, já que é do seu corpo que estamos falando. Lembra da fala da Joana Novaes, que o corpo é um capital? Para termos práticos, não. É sua casa, sua saúde, a única representação do que é você nesse universo infinito.

O segredo, portanto, é conciliar a casa com o morador. Corpo e mente em equilíbrio.

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